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GESTÃO HUMANIZANTE

1. BURNOUT

“Não é só excesso de trabalho: falta de reconhecimento, criatividade tolhida e mau relacionamento com os colegas também podem engatilhar uma síndrome de estresse crônico.” Texto: Bruno Carbinatto (Revista VC S/A 286, março 2022)

A World Health Organization finalmente incluiu em 2019 o burnout em sua Classificação Internacional de Doenças definindo como:

“síndrome conceituada como resultante do estresse crônico no local de trabalho que não foi gerenciado com sucesso.”

 

A maneira como esta definição foi construída deixa claro que não se trata de um problema particular do empregado, mas uma preocupação das organizações a qual requer uma solução organizacional (1).

 

De acordo com Christina Maslach da University of California, Berkeley, Susan E. Jackson da Rutgers, e Michael Leiter of Deakin University, burnout tem seis causa principais:

 

  • Carga de trabalho insustentável;

  • Percepção de falta de controle;

  • Reconhecimento insuficiente pelo esforço;

  • Falta de uma comunidade de apoio;

  • Injustiça;

  • Valores e habilidades incompatíveis.

Está mais do que provado através de estatísticas alarmantes que o período pandêmico elevou significativamente o número de casos diagnosticados como burnout. O período alongado de estresse diante da ameaça do vírus, aliado ao movimento desestruturado de trabalho em casa (home office) criaram circunstâncias acima da capacidade do trabalhador em gerir suas emoções. Esses fatores pontuais mais extremos vieram se juntar aos pré-existentes de: competição interna, competitividade nos negócios, busca de metas superestimadas, relações conflitantes ou até mesmo com interações tóxicas trouxeram resultados de casos mais graves de adoecimento mental e suicídio.

 

“De acordo com a ISMA-BR, International Stress Management Association, o Brasil é o segundo país com maior número de trabalhadores com Síndrome de Burnout”.

Peter Greenwood/Folio Art

 

2. SUICÍDIO

Segundo o Ministério da Saúde, conforme estudo divulgado em 2017, em torno de 11 mil pessoas tiram a vida por ano no Brasil, a maioria homens. Houve também um aumento de lesões autoprovocadas sendo 69% de casos em mulheres e 31% em homens.

Além do excesso de tarefas provocado por redução de quadros para contenção de despesas, o trabalhador se vê obrigado a lidar com o medo da perda de seu vínculo empregatício: seja por questões macroeconômicas ou pelo avanço exponencial do uso da tecnologia em substituição da mão de obra humana.

A ligação entre suicídio e trabalho é complexa devido a falta de padronização e unificação dos dados, além de, na maioria das vezes, não retratarem a realidade. É sabido, porém que pessoas com doenças ocupacionais, dores crônicas, transtornos psíquicos ou em processo de esgotamento físico e mental (burnout), são mais propícias a cometerem suicídio. No entanto, pessoas em situação de sofrimento não denunciam ou falam a respeito (2).

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