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  • Laudio Nogues

A Humanotecnologia

Atualizado: 10 de Nov de 2019

“Hei, acorda aí ô! Mais cedo ou mais tarde a tecnologia vai bater na sua porta.”


“Ai meu Deus, tô ferrado, isso quer dizer que vou perder?”


“Pode ser que sim, mas... Se você se der conta disso já pode começar a fazer algo a respeito imediatamente, ela poderá ser um fator de vantagem para você.”


A TECNOLOGIA DE TUDO

Caminhamos a passos largos para um reino dominado pelo prefixo/sufixo “tecnologia”: tecnologia da informação, biotecnologia, tecnologia genética, nanotecnologia, tecnologia automotiva, tecnologia da comunicação, tecnologia da produção e etc. Se olharmos para o passado veremos que ele está lotado de exemplos de rupturas nas atividades profissionais e meios de subsistência.


No início só tínhamos as plantas e as sementes como fontes de energia e o corpo humano como a única alternativa de força motriz. Hoje, olhamos a nossa volta e temos até dificuldade de imaginar como teria sido a vida naquela época. O fato é que depois de tantas revoluções: Cognitiva (humana), Agrícola, Industrial e Cibernética (computadores/automação), estamos de volta à revolução Cognitiva, só que desta vez o que está engatinhando e falando “gugu dadá” não são os humanos e sim as máquinas.


No início, haviam muitos humanos: os homens de Neanderthal, o Homo erectus e várias outras espécies, mas somente o sapiens sapiens foi capaz de desenvolver uma habilidade soberana que nos trouxe ao topo – a COGNIÇÃO. Após o fim da concorrência, passamos a reinar soberanos como a única espécie da categoria. Mas isso foi há muitos anos e muita, mas muita água passou por debaixo dessa ponte.


Bom, agora estamos no limiar de uma nova era. Sofisticamos tanto nossa habilidade cognitiva que acabamos por criar equipamentos que não se restringem mais às programações e ordens do seu criador, mas começam a adquirir a capacidade de interagir, obter informações e adquirir automaticamente novos conhecimentos.


“Espera um pouco, então quer dizer que ferrou grandão. Estamos nas mãos dos robôs!”


“Calma, isso não é assim. Estamos claramente no início de um processo que veio pra ficar, mas muito longe da extinção da espécie humana (pelo menos pelas mãos dos robôs). Ainda temos uma poderosa arma a nosso favor.”


“O que?”


“A nossa INTELIGÊNCIA EMOCIONAL.”


O QUE MOVE AS PESSOAS?

A emoção é na verdade o tempero da vida e vem a ser o contraponto da razão. Convivemos diariamente com a velha batalha entre razão e emoção. Estes dois polos pressupõem, equivocadamente, alternativas excludentes. O que efetivamente move as pessoas: a razão ou a emoção? De fato, algumas pessoas agem aparentemente pela razão de forma sistemática, outras impulsivamente pela emoção.


Apesar de todo o desenvolvimento e sofisticação da inteligência humana e, por mais que insistamos em nos desvincular disso, não passamos de uma espécie animal. A camada mais primitiva do nosso cérebro, chamada reptiliana, não nos deixa esquecer isso. Lutar ou fugir, a regra básica da sobrevivência. Ganhar todas, estar acima de tudo e de todos são características inevitavelmente presentes a nossa essência.


Padrões de comportamentos nocivos, reações improdutivas estão normalmente ligadas a impulsividade (camada reptiliana do cérebro). Se estamos diante de uma ameaça intimidadora, como ter que defender nosso ponto de vista diante de um interlocutor indiferente ou com argumentos contrários, não raro passamos do ponto do equilíbrio e nos deixamos levar pela ansiedade de vencer a discussão aumentando o tom de voz ou usando argumentos impróprios ofensivos.


Ao contrário, quando pré-avaliamos a inutilidade da tentativa, evitamos então o confronto batendo em retirada. Esse seria então o lado negativo da emoção. O lado que nos coloca em desvantagem diante da competição com outros seres humanos mais preparados ou da futura ameaça das máquinas humanizadas. No entanto essa habilidade única de se emocionar, quando bem utilizada, pode se transformar no maior diferencial a favor dos humanos. Para que isso aconteça, a emoção deve ser então trabalhada com inteligência - INTELIGÊNCIA EMOCIONAL (IE).


Resumidamente, IE é a habilidade de reconhecer, controlar e entender o que nossas próprias emoções nos dizem. Ser inteligente emocionalmente quer dizer também ser capaz de reconhecer as necessidades e desejos emocionais de outras pessoas e responder a elas apropriadamente. De maneira simples significa autoconhecimento e habilidades interpessoais.


Mais do que nunca, estamos diante de um enorme desafio. Desafio este que transcende os limites da humanidade. A tecnologia vem hábil e rapidamente rompendo barreiras, antes consideradas intransponíveis. Nós, humanos, precisamos ter a leitura correta do que está acontecendo e ao contrário de uma inútil resistência, precisamos canalizar nossas energias para encontrar meios de somar ao arsenal tecnológico.


Adicionar o componente único encontrado nos humanos ao poder computacional.


Reconhecer, dominar e utilizar o dom da emoção com a máxima inteligência para construção de um mundo melhor.


Fontes de inspiração e informação:

Livro - Inteligência Emocional, Daniel Goleman

Livro - Sapiens – Uma breve história da humanidade, Yuval Noah Harari

Portal “Mind Tools”

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