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  • Foto do escritorLaudio Nogues

O Poder da Fragilidade

Atualizado: 23 de nov. de 2022



Todos temos ao menos uma história de superação, situações que deixaram cicatrizes, aquelas as quais fazemos esforço diário para camuflar. Vestimos nossas máscaras buscando transparecer o quanto somos perfeitos e belos. Defendemo-nos das injustiças mundanas através desta maquiagem, sustentando inconscientemente um código de conduta hipocritamente falso.


Quando nos encontramos em um ambiente seguro onde sentimos a igualdade diante do sofrimento particular, despimo-nos das cascas protetoras e enxergamos uma fonte de luz iluminando as sombras de cada um. Esse ganho individual só é possível em função da soma do apoio mútuo coletivo. Quando pensamos que somos o último ser da face da terra, o mais desamparado de todos, escutamos a história do outro e sentimos então o poder da força pessoal facilitada pela capacidade de ajudar outra pessoa. Esta pessoa, por sua vez, estende esta força para outro e assim sucessivamente formando uma corrente onde todos se fortalecem coletivamente desprezando o sentido da singularidade deixando florescer a visão plural da existência da equipe.


Recentemente experimentei isso na pele ao participar de um grupo de aprendizado. Ao relatar particularidades desafiadoras da minha jornada de vida, imediatamente recebi o apoio da turma, senti algo indescritível ao receber o abraço, o olhar, a palavra carinhosa em relação ao meu caso. Absolutamente todos / todas me ampararam e me doaram um pouco de sua força. Até mesmo aquelas pessoas as quais uma barreira havia se erguido por falta de afinidade com meu jeito falador, expansivo e questionador, neste momento, se desarmaram dando espaço a um longo abraço e ao reconhecimento que no nível mais profundo do nosso subconsciente as amarras do ego idealizado, de ambas as partes, se desfazem. Essa energia então foi imediatamente canalizada para confortar outros participantes que igualmente se dispuseram a expor suas histórias.


A união cooperativa do grupo é, ou deveria ser, a maior conquista de um líder. Trata-se de algo elaborado gradativamente, dia após dia. Nessa trajetória, não há nada mais poderoso do que o convite à exposição das dores e das fragilidades. A liberação deste componente extraordinariamente vigoroso estimula compaixão mútua, compreensão da unidade, da equanimidade entre os indivíduos demonstrada através da percepção de que todos somos ao mesmo tempo fortes e frágeis, precisos e imprecisos, capazes de ajudar e sujeitos a precisar de ajuda.


Aqueles líderes que conseguem esse grau de unidade no grupo, dão o exemplo abaixando sua guarda e abandonando a obsoleta postura de poder através do estilo comando e controle. Angariam respeito através da admiração e da apreciação. Dão espaço para participação de todos, levam em consideração todo tipo de contribuição, não admitem desrespeito entre os liderados, são claros, objetivos, transparentes e acima de tudo compreendem a essência humana ávida pelo valor do pertencimento.



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