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  • Foto do escritorLaudio Nogues

Queira menos para CONQUISTAR MAIS



Primeiramente é preciso esclarecer que esse “menos” não significa tamanho ou grandiosidade, mas está ligado a obsessividade com que nos lançamos na trilha da perseguição de um objetivo. Querer chegar a algum lugar com um potente automóvel, em alta velocidade, descuidando da segurança e desrespeitando as leis de trânsito, certamente resultará em multas, prejuízos ou mais gravemente, morte.


No campo da realização profissional a ambição descontrolada funciona como combustível gerador de energia suja para um caminho de destruição e sofrimento, ainda que se atinja o objetivo almejado.


A medida que ficamos obcecados em nos apropriar de algo que está no ponto futuro, nos deixamos absorver emocionalmente pela necessidade de possuir. Essa necessidade conversa intimamente com o sentimento de escassez, por mais que aquilo que se almeje esteja muito distante da base da pirâmide de Maslow. Poderíamos seguir nessa analogia explorando o ponto de origem, o nascedouro das emoções e sentimentos que experimentamos no momento presente, no entanto, estaríamos fugindo do tema principal desse artigo. O que o título sugere é que façamos uma reflexão a respeito da capacidade de controlar de maneira inteligente a energia que brota da nossa ambição, independentemente de onde ela venha.


Todo objetivo pressupõe três elementos fundamentais: o ponto onde estamos (A), o ponto onde queremos chegar (B) e o tempo (T). Se não estamos em B no T presente, é porque nos faltou recursos e/ou oportunidades as quais precisam ser angariadas à medida que T avança. Será então uma construção que demanda paciência e coordenação para que se consiga dar cada passo em seu tempo avançando consistentemente na direção correta. Como muitas coisas na trajetória não depende exclusivamente do nosso controle, há de se esperar desvios, retrocessos e correções de rota. Esses contratempos impactam diretamente a expectativa que tínhamos na primeira avaliação e por consequência abalam nosso estado emocional causando uma certa frustração. É aí então que mora o perigo.


Ao se querer muito alguma coisa, damos a largada para a mente começar a trabalhar nos bastidores projetando como verdade sensações maravilhosas de estar onde se gostaria ignorando completamente a realidade. Sonhamos acordados imaginando o quanto seria bom esse lugar, porém, ao acordar, entramos em contato com a decepção de se estar onde se está. Pior que isso, nos deixamos levar pela tentação de comparar nossa posição com o outro, aquele que já chegou lá, desqualificando por completo o avanço conquistado até aqui na própria jornada. O tamanho da dor normalmente será diretamente proporcional à intensidade que se deseja o objetivo, quanto maior o sentimento de escassez, maior será o sofrimento. Este por sua vez, poderá disparar gatilhos que resultarão em ações negativas, tais como: pular etapas, trapacear, desrespeitar princípios éticos etc.


Abro um espaço para contar uma experiência muito emblemática para ilustrar esse conteúdo. O ocorrido foi durante minha curta passagem como dono de chácara no Sul de Minas. Lá tínhamos um terreno com jardim, horta e galinheiro. Um determinado, momento convenceram-me a adquirir uma chocadeira elétrica, um artefato de acrílico com um sistema de calor umedecido que busca simular o corpo da galinha chocadeira.


Havia espaço para 100 ovos, desses uns 30 não vingavam porque o galo não havia feito o serviço dele direito, os outros 70, em torno de 21 dias, viravam pintinhos. Pois bem, A tampa dessa caixa era de um material transparente e permitia a visualização do processo. Na primeira carga de ovos, estávamos muito apreensivos e ansiosos para ver os novos integrantes do galinheiro chegar. Aí então que entra a parte principal.


Notamos que alguns pintinhos quebravam as cascas dos ovos com muita vitalidade e logo se apresentavam para a vida externa, no entanto, outros poucos tinham mais dificuldade. Ficamos angustiados ao assistir aquele animalzinho fazendo um esforço brutal para vencer essa fase de sua tenra existência. Essa impaciência nos levou ao erro fatal. Com a melhor das intenções, abrimos a caixa e fomos dar uma forcinha para aqueles que ainda lutavam para se livrar de suas casquinhas. O resultado desse ato foi desastroso, aqueles pintinhos que foram ajudados e, por conseguinte, foram levados a pular uma etapa natural essencial de suas jornadas, viraram aleijões. Não paravam em pé, se arrastavam com dificuldade e não sobreviveram. O que para nós parecia tão elementar e sem importância, para eles representava a sobrevivência. A conclusão é óbvia: por mais que doa, todas as fases de uma construção precisam ser respeitadas, sob pena de termos resultados “aleijões”.


Na construção de minha jornada encontrei algumas pessoas inescrupulosas, sínicas e manipuladoras. Ávidas por chegar em algum lugar, faziam qualquer coisa par obter a vantagem na pista de competição corporativa. Algumas até alcançavam sucesso por algum tempo, no entanto, mais cedo ou mais tarde a verdade emergia e as máscaras despencavam. O que parecia tão surpreendentemente bom transformava-se em péssimo com a mesma velocidade de percurso, porém, em sentido oposto. O esforço coordenado, a paciência, a estratégia ética sempre serão caminhos mais sustentáveis para quem tem ambições de chegar longe, mas não renuncia à consciência moral para deitar-se em seu travesseiro a noite e dormir tranquilamente.


Portanto, aqui vão algumas recomendações:

  • Busque o autoconhecimento para ser capar de desvendar o seu Propósito nessa Vida;

  • Trace suas metas de curto, médio e longo prazo baseadas no seu Propósito de Vida;

  • Entenda quais os requisitos necessários para o atingimento em cada etapa da jornada;

  • Aproxime-se de pessoas confiáveis que realmente possam contribuir com orientação, apoio e críticas de valor;

  • Entenda o sentido da palavra “contingências” prepare-se para elas;

  • Tenha sempre um plano alternativo em mente seja para um período temporário ou para mudança de rota definitiva;

  • Domine suas emoções ao invés de ser dominado por elas, não esqueça, nossa mente primitiva de sobrevivente estará sempre pronta para te sequestrar;

  • Fixe a você mesmo como base de comparação para validar e celebrar todo avanço conquistado, por menor que seja, valorize-se para você, não para os outros;

  • Queira somente o suficiente para manter-se ético, resiliente e comprometido com seus ideais, a vida é muito curta e cheia de alternativas para o sucesso.


“A ideia fixa, que faz cometer mais crimes do que todos os outros desregulamentos da natureza humana, deve-se recear ainda mais quando apresenta a máscara do amor.”

JOHN GALSWORTHY

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