A Razão de Ser - Qual o Seu Propósito?
- há 2 dias
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A descoberta do propósito é um dos movimentos mais relevantes da experiência humana. É ela que dá sentido à vida, sustenta escolhas difíceis e alimenta a energia necessária para seguir adiante mesmo diante das dores inevitáveis da jornada.
Uma vida vibrante e inspiradora normalmente começa quando encontramos algo que nos conecta genuinamente à nossa essência. Algo que transcende metas superficiais e nos aproxima daquilo que realmente somos.
Durante muitos anos, no exercício das minhas atividades, procurei ajudar pessoas a identificar ou estruturar seus propósitos de vida. Porém, foi mais recentemente que compreendi algo que transformou profundamente minha forma de enxergar esse processo.
Sempre que perguntava a alguém qual era seu propósito, na maioria das vezes recebia respostas relacionadas a objetivos futuros: “quero me tornar diretor de uma multinacional”, “quero construir a casa dos meus sonhos”, “quero alcançar independência financeira”.
Não há absolutamente nada de errado com essas ambições. Elas podem funcionar como importantes alavancas motivacionais. O problema é que, na maioria das vezes, representam apenas metas, desejos ou recompensas projetadas pela mente consciente — estruturas frequentemente influenciadas pelas expectativas sociais, pelo consumo e pela necessidade de validação.
Um propósito verdadeiro é diferente. Ele resiste ao tempo. Sustenta fases distintas da vida. Sobrevive às conquistas materiais e também aos fracassos. Pode se manifestar tanto em projetos profissionais quanto em causas humanas, relações, contribuições sociais ou movimentos silenciosos de transformação.
Em minha própria trilha de desenvolvimento humano, descobri que esse propósito mais profundo habita regiões menos acessíveis da consciência. Muitas vezes seguimos alinhados a ele sem sequer perceber. Caminhamos intuitivamente em sua direção, ainda que de forma confusa, automática e, por vezes, contraditória.
Talvez o grande desafio não seja “criar” um propósito, mas permitir que ele emerja.
É exatamente nesse ponto que o Mindfulness assume um papel extraordinário.
A prática da atenção plena cria espaço interno. Silencia temporariamente o excesso de ruído mental, as distrações constantes e os condicionamentos automáticos. Quando cultivamos presença, começamos a enxergar além das camadas superficiais da mente.
O Mindfulness não oferece respostas prontas. Ele cria as condições para que possamos escutar aquilo que já existe dentro de nós.
E muitas vezes essa escuta acontece melhor através da criação do que da racionalização.
A linguagem verbal possui limites. Ela frequentemente nasce impregnada pelos filtros do ego, pelas expectativas externas e pelas narrativas que construímos sobre nós mesmos. Já a expressão artística autêntica consegue acessar regiões mais profundas da experiência humana.
Quando nos permitimos criar livremente — sem julgamento, sem estética obrigatória, sem necessidade de performance — algo começa a emergir. Desenhos, formas, cores e símbolos passam a expressar conteúdos internos que talvez jamais conseguíssemos explicar racionalmente.
Por isso, em alguns processos que conduzo, iniciamos com um momento de introspecção e presença consciente. Uma prática meditativa cuidadosamente conduzida ajuda os participantes a desacelerarem, entrarem em contato com seu valor essencial e refletirem sobre uma pergunta central:
“Por que vale a pena existir?”
Em seguida, partimos imediatamente para a expressão criativa espontânea utilizando lápis de cor, giz de cera, tintas ou qualquer outro recurso artístico disponível. A beleza estética tem pouca importância. O foco está na autenticidade da expressão.
Ao final, vem o compartilhamento.
E é impressionante observar o que acontece. As palavras passam a surgir de um lugar diferente — mais verdadeiro, mais humano, mais conectado. O ambiente se transforma em um espaço de identificação, sensibilização e colaboração genuína. Em muitos casos, é possível perceber claramente o despertar de elementos profundos do propósito de vida de cada participante.
E talvez exista algo ainda mais bonito nisso tudo:
A experiência fica registrada em uma obra única, pessoal e simbólica — uma espécie de lembrete visível daquilo que realmente sustenta nossa caminhada.
Todos nós buscamos algo para perseguir ao longo da vida. Mas quando o verdadeiro propósito começa a emergir, deixamos de correr apenas atrás de metas e passamos a caminhar acompanhados de uma chama interior mais estável, consciente e significativa.
Razão de ser, qual é a sua?





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