top of page
Buscar
  • Foto do escritorLaudio Nogues

CUIDA DA PAZ



O tema que mais tem me chamado a atenção, principalmente no momento em que vivemos hoje, é o que está abaixo do título “Cuida da Paz”. A razão dessa minha escolha de reflexão está vinculada, acima de tudo, ao clima separatista e de ódio em evidência na maioria das mídias e manifestações políticas desse período. Temos um país dividido em dois polos que pensam de maneira radicalmente opostas em sua consciência mais rasa que aflora dentro do senso do nós contra eles. Sem querer entrar no mérito das forças que impulsionam cada lado, desejo desenvolver meu argumento usando como pano de fundo esse clima tão atual e que mexe com todos nós, por mais que tentemos nos abstrair.


Parece uma fatalidade que venhamos a ter um clima tão polarizado com ânimos tão separatistas e excludentes logo após a maior crise sanitária / humanitária do planeta. O fim da pandemia não completou nem 1 ano e já estamos negando veementemente todo o espírito humanitário de união e solidariedade ilusoriamente instalado nos momentos mais críticos. Durante dois anos e meio reinou a esperança de que aprenderíamos muitas lições em função disso e que nos tornaríamos seres humano mais evoluídos. Pois bem, o teste veio logo a seguir e o resultado está se provando ser o pior possível. A evidência incontestável é a de que há ainda um longo caminho a ser percorrido no que diz respeito a incorporarmos uma atitude galgada em uma visão ampliada para o que realmente importa.


Apesar de termos um país segmentado em recortes múltiplos a compreensão de maior valor é aquela que pode ser resumida na seguinte frase:


“O todo descansa na parte e a parte só tem um sentido pelo todo.”


Fica muito claro quando abandonamos retóricas e bandeiras e paramos para refletir de um ponto mais elevado que o conflito sempre está alojado em níveis mais rudimentares das intenções e dos objetivos.


Para entendermos definitivamente, vamos nos servir da pedagogia do vírus: houve um elemento infiltrado em toda a sociedade da forma mais democrática possível. Não respeitava classe social, credo, gênero muito menos região geográfica. O risco era generalizado e muito alto podendo roubar o bem maior que o ser humano pode ter, a vida. Todos estiveram expostos a essa possibilidade, seja por necessidade, seja pelo inconformismo de não poder gozar a vida. O ponto de convergência tinha um chamado extraordinariamente forte: a sobrevivência. Passamos então a observar e valorizar seres antes considerados invisíveis, tais como os entregadores de mercadorias, profissionais de saúde, motoristas de transportes urbano, coletores de lixo, etc. Ao mesmo tempo, participamos de uma união solidária gigantesca que mobilizou recursos de toda natureza enquanto observávamos assombrados a escalada dos números de infectados e de óbitos. Cheguei realmente a achar que algo poderoso estava se apropriando do sentimento e da lógica racional das pessoas para o caminho certo, parece que errei feio.

A pergunta que fica é: o que aconteceu em tão pouco tempo? Porque estamos nos xingando, rompendo relacionamentos e até mesmo nos matando? O que nos falta para perceber que “todos nós somos ilhas, unidas pelo mesmo oceano...” (Anne Lindbergh)? Talvez estejamos afundados em uma alienação “Normótica” irrecuperável que nos leva a “fantasia da separatividade” (Pierre Weil) regidos e fidelizados ao egocentrismo e não ao Self.


A proposta de um levante em direção a uma terceira via é necessária e urgente, no entanto, não essa terceira via que se baseia na mesma lógica egóica, mas uma terceira opção acima da dualidade. Que tenha a visão de mundo inclusiva objetivando o bem maior acima do raso separatista onde o ego, elemento de identidade humana, sobreviva em posição subordinada ao Self, nosso “EU” maior. Para tanto será preciso aderir a primeira tarefa no processo da individuação proposta por Jung: “desenvolver um bom ego, enraizado no solo da cidadania, curado de suas feridas, pacificado em seus conflitos, apaziguado em seus temores”.


181 visualizações0 comentário

Posts recentes

Ver tudo
bottom of page